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O início de um sonho brasiliense por Camille Guerra


      

        O Museu Vivo da Memória Candanga antigamente era um hospital público e após protestos do povo quanto ao abandono do local tornou-se o que é hoje, um espaço destinado a honrar o marco histórico da construção de uma nova capital e que apesar da precariedade em que encontra-se ainda guardar riquezas histórica-culturais. Diversos acervos de fotos, vídeos e exposições concretizam a relevância do museu, pois  fazem com que quem visite o ambiente imergir no passado e questionar, criando desta forma senso crítico, sobre os vários acontecimentos que fazem de Brasília o que é atualmente.

        Durante a visita, tudo foi encantadoramente informativo, iniciou-se com um vídeo que faz a pessoa observar a arquitetura de outra forma, depois houve uma exposição com todo o processo, o concurso para escolher o projeto, as reuniões, o começo das construções, a vinda dos primeiros candangos e muito mais. Todavia o que mais cativa a atenção é quando dedica-se tempo para conhecer a segunda sala que supostamente é destinada às mulheres que fizeram parte desta jornada rumo a um novo futuro; um salão cheio de nada, nenhuma informação, imagens sem identidade, sem nome, objetos arcaicos e machistas. É triste ver que quando se tratava de mulheres pioneiras não havia nenhum cuidado de registro acerca delas, a sala das mulheres tomou-se uma memória ao desleixo e insignificância imposto a presença feminina.
        Apesar disso, ainda é um museu a ser visitado, pois tal ignorância fez sim parte do passado brasiliense e deve ser exposto e criticado. Além de possuir um conteúdo muito rico sobre Brasília e todos que moram nesse ambiente deveriam gastar um pouco de tempo e atenção com tal exposição, afinal o presente é uma consequência do passado e para construir-se um futuro melhor, ele deve ser investigado.
        Com certeza a personagem Cristina seria beneficiada pelo passeio, já que suas dúvidas e dificuldades englobam questões sobre como a cidade funciona e o porquê desta hibridização cultural pertencente a identidade candanga, o museu possui os requisitos necessários para elucidar sua mente e fazê-la compreender o que deseja.








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