O que você aprende em um museu mesmo quando algo não está exposto
O museu Vivo da Memória
Candanga fica localizado entre a Candangolândia e o Núcleo Bandeirante, na
região que era a antiga Cidade Livre (livre de impostos). Está numa área verde
de 184 mil metros quadrados e oferece a sensação de estar num imenso parque (lembra
a escala bucólica pensada por Lúcio Costa para o Plano Piloto). Há árvores
antigas —o tamanho denuncia a idade, algumas frutíferas, como as Jaqueiras e
Mangueiras, dispostas pelo solo forrado pela grama.
É
possível fazer piquenique com familiares e amigos, caminhada ao ar livre e
levar seu “pet” /ente querido/filho/amor da sua vida. A área externa é
aprazível, apesar de notar-se certo descuido com o ambiente de forma geral e à
própria estrutura de madeira que está desgastada por cupins e pelas
intempéries. A despeito disso, é evidente a importância do local para a região,
pois é o seio da história de Brasília, acessível para a comunidade geral e para
os alunos da educação básica da escola pública, graças ao Programa Educativo
Memória Candanga.
Ao adentrar em uma das sete casas coloridas, na sala de apresentação de
vídeos, somos convidados a reviver a história da construção de Brasília por
meio de fotografias e vídeos contendo informações sobre a ideia de transferência
da capital, o que antecedeu em muito, Juscelino Kubitschek.
JK, o presidente da república responsável por tirar do papel e dos sonhos a interiorização da capital do país, e de certo não o fez sozinho, e como poderia? Contou com uma equipe respeitável para transformar o planalto central na gigante cidade planejada, Brasília. Mas, nem tudo saiu como o planejado, pois as condições precárias de trabalho fizerem muitos dos operários formarem bairros residenciais nas cidades satélites (sem nenhuma estrutura habitacional e sanitária), ou seja, à margem de toda magnificência que ajudavam a construir.
Há no museu, além de oficinas artesanais para o público, uma exposição permanente chamada “Poeira, Lona e Concreto” com fotografias de alguns projetos ganhadores do concurso Plano Piloto de Brasília, há também objetos como réguas, compassos, mesa para desenho técnico, um teodolito da época, e diversas fotografias dos homens reverenciados por sua audácia e determinação, seja em âmbito político, sejam os profissionais de engenharia e arquitetura, ou mesmo o fotografo oficial da construção de Brasília. Ainda, nada sobre as esposas dos retirantes e/ou profissionais femininas.
JK, o presidente da república responsável por tirar do papel e dos sonhos a interiorização da capital do país, e de certo não o fez sozinho, e como poderia? Contou com uma equipe respeitável para transformar o planalto central na gigante cidade planejada, Brasília. Mas, nem tudo saiu como o planejado, pois as condições precárias de trabalho fizerem muitos dos operários formarem bairros residenciais nas cidades satélites (sem nenhuma estrutura habitacional e sanitária), ou seja, à margem de toda magnificência que ajudavam a construir.
Há no museu, além de oficinas artesanais para o público, uma exposição permanente chamada “Poeira, Lona e Concreto” com fotografias de alguns projetos ganhadores do concurso Plano Piloto de Brasília, há também objetos como réguas, compassos, mesa para desenho técnico, um teodolito da época, e diversas fotografias dos homens reverenciados por sua audácia e determinação, seja em âmbito político, sejam os profissionais de engenharia e arquitetura, ou mesmo o fotografo oficial da construção de Brasília. Ainda, nada sobre as esposas dos retirantes e/ou profissionais femininas.
No salão, uma citação da Sinfonia da Alvorada de Vinicius de Moraes — que
fora encomendada por JK, louva os mais de 60 mil candangos que vieram
trabalhar. Mas, hoje, contemplamos o concreto, as britas, a areia e o cimento
através dos monumentos que aqui estão, porém, durante a construção, aqueles que
ergueram a capital suntuosa conviviam com o improviso e a insegurança. Apesar
das muitas fotografias, apresentadas na exposição, mostrarem a fragilidade que
os retirantes viveram, onde hoje é museu, antes funcionava o Hospital Juscelino
Kubitschek de Oliveira, construído em 60 dias justamente para atender os
operários, talvez o pouco que foi pensado para eles.
Na sessão seguinte, equipamentos usados na construção, como luvas; sapatos; chaleiras; bules; canecas de alumínio; andaimes de madeira em bom estado e de bom acabamento. Adiante, malas, sacos de pano — a qualidade e robustez de algumas malas, em comparação ao saco de pano, faz indagar sobre quem eram os verdadeiros donos desses objetos, visto que foram os mais humildes que vieram doar o seu suor na construção da capital. Há também itens de uma barbearia, como uma cadeira em que JK se sentava, além de objetos e equipamentos da época que o museu era hospital (estufa, refrigerador, balança para recém-nascido, camas de hospital
Na casa amarela, que retrata — ou deveria, a história e a importância das
mulheres na construção de Brasília é, sem dúvidas, decepcionante, pois há
muitas fotos legenda e consequentemente, sem identificação, —as que possuem
dizem, de modo simplista “mulher na construção de Brasília”, “aeromoças em
Brasília”, “reunião de ciganas”, etc. Além disso, nessa sala há objetos como
máquinas de costura, mesa escolar, e fogão. Há uma foto de uma telefonista, mas
é possível que jamais saibamos da sua relevância para a época. Infelizmente,
enquanto os homens —os importantes, ficaram para a posteridade, as mulheres
sofreram um apagamento sistemático —nem todas as mulheres, afinal é possível
encontrar nomes e rostos em outros materiais, mas aquelas sim, tiveram sua
história apagada, estão num museu, suas roupas, seus corpos e seus rostos,
eternizados nas fotografias, mas não os seus nomes e as suas histórias. O que
isto, silenciosamente, diz às crianças que frequentam o local?
Ainda assim, é um passeio que vale a experiência para levar parentes e
amigos de outras cidades, e, mesmo para quem reside, é um riquíssimo banho de
história e cultura. Mesmo com as falhas, o próprio choque de tratamento entre
políticos e operários, ricos e pobres, homens e mulheres, constrói a nossa
percepção da realidade, mesmo para julgar e refletir, o passeio vale a pena. É
preciso estar atento ao que diz um museu, mas, acima de tudo, ao silêncio
pujante.
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Lindo!
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