Silvio Luiz de Almeida é professor, advogado, escritor, e, atualmente, é o Ministro de Estado dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil.
Silvio de Almeida começa o capítulo trazendo quatro explicações para a pergunta: “O que é racismo estrutural?” Mais adiante, aprofunda o conhecimento e expõe o racismo intrínseco nas afirmações. Também, aborda a naturalização do racismo, a ideologia e a estrutura social que o sustenta, e começa a traçar um paralelo sobre as teorias científicas que alicerçaram o racismo por muito tempo, o chamado racismo científico.
Uma construção muito importante do texto faz perceber que o racismo não é fruto apenas do senso comum ou da ignorância das massa, mas, dos dominadores da ciência e dos saberes acadêmicos. Conforme ele reflete no seguinte trecho:
Outra consequência do tratamento estrutural do racismo é a rejeição de que o sistema de ideias racistas se nutra apenas de irracionalismos. Por certo o folclore, os “lugares-comuns”, os “chistes” as piadas e os misticismos são importantes veículos de propagação do racismo, pois é por meio da cultura popular que haverá a naturalização da discriminação no imaginário social. Mas, como afirmam Étienne Balibar e Immanuel Wallerstein, “não há racismo sem teoria” e, por isso, “seria completamente inútil perguntar-se se as teorias racistas procedem das elites ou das massas, das classes dominantes ou das classes dominadas”. De fato, tão importantes quanto as narrativas da cultura popular da produção do imaginário, são as teorias filosóficas e científicas. Acima já se viu como a concepção de raça foi engendrada pela sofisticada filosofia do século XVIII e pela ciência do século XIX (ALMEIDA, 2020).
As concepções de raça de que fala o autor no trecho que introduz informações sobre racismo e ciência, são também importantes para compreender toda a estrutura do racismo. São abordagens sobre o imaginário popular e a representação que fazemos da realidade, e que isto, não é a realidade, e sim representá-la de acordo com a ideologia racista sobre o “lugar de negros e brancos”.
A leitura do livro é uma atividade importante para toda a sociedade, mas é indispensável aos discentes de quaisquer cursos superiores, pois aborda o racismo científico que se contrapõe àquele popular, oriundo das massas e das piadas do cotidiano. É fundamental ter este tipo de perspectiva porque o meio acadêmico pode estar, como já esteve massivamente um dia, repleto de argumentos ‘técnicos-científicos’ que partiam do pressuposto da inferiorização das pessoas negras. Portanto, é necessário excluir, permanentemente, o viés científico do racismo para que a academia não volte a fomentar e aceitar pesquisas ou argumentos que, por meio dela, valide a discriminação. É preciso que haja o desmembramento das estruturas que alicerçam o racismo de maneira institucional.
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